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Análise



Far Cry New Dawn

Crítica: Bem Vindo à Hope County

André Camargo
14/02/2019 14h23

Vale a pena?

Vale. Apenas mantenha as suas expectativas sob controle.

Vamos lá!

Welcome to Hope County!

Far Cry: New Dawn se inicia dezessete anos depois de Far Cry 5. Se você não o jogou, e aqui vai um grande spoiler (sua chance de fechar os olhos e pular para o próximo parágrafo), os Estados Unidos sofrem um ataque nuclear.

A história que New Dawn, portanto,, quer te contar, é sobre o que aconteceu com as pessoas que sobreviveram a este ataque.

De certa forma, a nova empreitada da Ubisoft é, portanto, uma continuação. Isso irá, sem dúvida, atrair os velhos jogadores que ficaram carentes da já conhecida mecânica e ambientação da série Far Cry.

Mas vale a pena? Bom, você gosta de Far Cry? Já é familiarizado? Então, sim. Se você não é muito acostumado, depende.

Welcome to Hope County!... Again?!

É! De novo.

Talvez a primeira crítica a ser feita em qualquer Far Cry é que, com raríssimas exceções (exceções essas que são, na verdade, mais um fruto da data de lançamento, como Far Cry 3, do que de alguma genialidade dos desenvolvedores), entrar neste mundo é rever o mesmo mundo, as mesmas mecânicas e ter as mesmas expectativas.

Talvez seja por isso que o jogo não te faz passar por um Tutorial. Ele simplesmente te joga no meio do tiroteio e espera que você saiba o que fazer. Algumas mecânicas são conhecidas, como os tradicionais botões de corrida e agachar, característica dos jogos de FPS. Outras mecânicas, contudo, são mais escondidas do público convencional, como aquela onde você joga uma pedra para chamar a atenção.

Até mesmo os temas de Far Cry são recorrentes, como, por exemplo, o Culto à Personalidade. Personagens que aparecem como salvadores ou como vilões de uma grandeza maior do que a vida. “In Rush we Trust”, é uma das primeiras imagens que você verá ao iniciar o jogo.

Os contadores de dano e aquela HUD familiar aos jogadores de RPG é uma novidade. Mas... bom, não acho que dá para contar isso como algo realmente novo.

E talvez aí esteja um dos grandes defeitos deste jogo.

A triste (chata) história do herói silencioso e sem opinião

Ok! Quando eu joguei Chrono Trigger, eu entendia a ideia do herói silencioso. Os pequenos gestos exercidos pelo personagens que, naquele que foi um dos mais geniais jogos já lançados, conseguiam demonstrar a personalidade do personagem em uma era onde jogos eram guardados em cartuchos de plásticos.

Mas eu não tenho a MENOR ideia do que se busca, com um herói silencioso, nesta nova geração. Eu não entendo a ausência de personalidade do herói.

A todo o tempo que eu jogava, eu me perguntava “Por que eu estou ajudando essas pessoas?” ou “Por que essas pessoas estão querendo a minha ajuda?” “Por que elas confiam em mim?”.

Essa desconfiança, a falta de imersão do personagem principal também afeta o mundo ao seu redor. Você já toma conhecimento das Gêmeas (Mickey and Lou), por exemplo, como se elas fossem o grande mal do mundo.

Contudo, ao mesmo tempo que o jogo lhe apresenta (ou força) essa ideia, você ouve toda aquela história de “coelhinhos” e a malvadeza (quase caricata) das vilãs e não consegue comprar.

Veja: A ideia de Far Cry é essa. Potencializar estereótipos, os tornar caricatos.

Mas falta, aí, uma melhor construção do roteiro, dos personagens. Algo gradativo. Isso nos faz pensar que, talvez, por se tratar de uma continuação direta, a Ubisoft escolheu por nos dar uma experiência já madura.

Tudo o que consegue, no entanto, é apresentar a típica “bonitinha mas ordinária” jornada do herói.

Ok! Mas eu não vim pela história!

Esse pensamento, que não tem qualquer demérito, pode ser um daqueles que desejam por revisitar a série.

As mecânicas que Far Cry: New Dawn traz, são divertidas. Há um vasto sistema de Perks e o manuseio de armas é o que se espera de um FPS. Os gráficos são bonitos, ainda que não sejam nada excepcionais, como, por exemplo, os regulares “buxas de canhão” que você encontrar pelo caminho, destoam do restante, à medida que possuem definição e nível de detalhes infinitamente menor do que todo o restante. O mesmo pode ser dito daqueles animais que não são apenas parte do ambiente, mas sim, antagonistas. Não convencem. Tanto não convencem, que na primeira vez que vi um urso, no jogo, me perguntei se Far Cry foi desenvolvido no início da era do Playstation 4.

E aqui não há exageros.

Veja só: Acabamos de ser agraciados com o espetacular Red Dead Redemption 2 e, pouco tempo antes, com God of War. Ambos os jogos são ambiciosos e com gráficos acima de qualquer expectativa que se tinha até a data de lançamento.

A resposta para essa enorme diferença talvez seja o tempo de desenvolvimento que levaram comparados ao de Far Cry: New Dawn.

Bom, já que estamos falando de gráficos...

É uma mistura de Mad Max com Lollapallooza!

Far Cry traz algumas identificações visuais. Ainda que estejamos falando de um mundo recém trazido do apocalipse, o que vemos são muitas imagens coloridas com a predominância de tons avermelhados. Eventualmente o cenário muda, mas é essa imagem mais country que chama a atenção.

De um lado, é bonito até. Os gráficos dos ambientes e da maioria dos personagens importantes são bem detalhados. As expressões faciais são interessantes e há um certo esmero ali. Ainda que, ao final, pareça ter havido pouquíssima melhora com relação aos jogos anteriores.

A trilha sonora e os sons, no geral, são bons. Mas talvez eu tenha sido fisgado pelo jogo quando, tão logo cheguei em Prosperity eouvi uma Cover de Where Did you Sleep Last Night do Nirvana, tocada no violão por algum NPC qualquer. A sincronização labial era aterradora, mas a música era boa.

TESTEMUNHEM!!!

A primeira arma que você aprende a fabricar é um Lançador de Serras. A arma tinha um design irônico e pareceu interessantíssimo demais para chamar a minha atenção. Empolgado, eu fui o testar, esperando que cabeças fossem cortadas e... nada. Pareceu que o inimigo foi atacado por uma bola de borracha.

Naquele momento, ainda que frustrado com as físicas da arma, eu esperava que, talvez, aquela primeira arma fosse um bom começo do que teria pela frente, com armas criativas e de efeitos curiosos.

Mas foi apenas hype.

Você monta armas e, provavelmente, vai gastar mais tempo montando armas do que buscando armas dos inimigos. Mas ainda que sejam criativas em seu design, suas mecânicas são um pouco mais do mesmo, com uma descrição mais interessante.

O mapa é menor do que o de Far Cry 5 e a sua movimentação é um pouco mais limitada. Os inimigos são abudantens e, em alguns momentos, eu me senti como se estivesse jogando The Division, com adversários que mais pareciam esponjas de balas do que qualquer outra coisa. Sim, há certa frustração nessa sensação , eis que há maneiras mais criativas de criar dificuldade sem transformar os inimigos em algum tipo de highlander.

Essa “trava rpgistica” também acompanha as vantagens que você desbloqueia durante a jornada (sabe aquele canto do mapa? Não, você não vai conseguir chegar lá sem o equipamento necessário). Alguns inimigos apenas podem ser nocauteados após você abrir uma determinada vantagem (Perks), por exemplo. Ao mesmo tempo, armas e equipamentos são liberados conforme você se envolve e progride na história e no aprimoramento de estruturas.

Ainda que eu nunca vá entender como um rifle de assalto ganha vida com mais duct tape.

No fundo, contudo, excetuando o Lançador de Serra (que possuí algumas aprimorações durante o jogo), todas as armas são mais ou menos semelhante e suas diferenças residem, essencialmente, em estatísticas: causa mais dano ou não?

Posso chamar meu amiguinho para jogar comigo?

Pode. Você na sua casa e ele na dele.

O Co-Op de Far Cry já é um velho conhecido e tem pouquíssima mudança aqui. Você não vai jogar um Battle Royale ou transformar o cenário caipiresco de Far Cry em uma arena de Overwatch, mas, ao invés disso, vai chamar os seus amigos (na verdade, apenas um amigo), para te ajudar em algumas missões específicas, como retomar os Fortes dos inimigos, uma mecânica com algum grau de ‘replayability’, já que, a cada invasão, os inimigos aumentam a dificuldade.

É divertido, de qualquer forma. É o que podemos, realmente, tratar como um cooperativo.

É DO BRASIL!

A Ubisoft costuma ser generosa com o seu público brasileiro.

Os jogos estão completamente localizados em Português-Br (eu passei uns cinco minutos rindo quando um dos NPCs gritou “Se fode aê, seu trouxa!”). Então, pode se preparar para as mais belas palavras da língua de Camões.

A dublagem no geral, é boa. Apesar de as vezes ter me incomodado os tons monocórdios ou forçados de alguns personagens.

Aqui vale um comentário sobre os NPCs que te acompanham durante a aventura: algumas vezes eles são completamente irritantes, fazendo comentários repetidos, principalmente quando alvejados. É realmente uma pena que onde poderia haver um diálogo entre o herói e o NPC, existe apenas uma tagarelice sem fim de um dos lados.

Mas e aê? Vale a pena?

Talvez, em uma primeira leitura, pareça que o jogo é ruim.

Não se engane: Far Cry: New Dawn, dentro daquilo que se propõe, é um bom jogo, divertido, principalmente para aqueles que já conhecem o jogo e que querem mais. Vale lembrar, inclusive, que até mesmo o valor dele é inferior: 40 dólares ao invés de 60 dólares costumeiros.

O grande problema do jogo é a falta de criatividade, a falta de novidades, a falta de ousadia. Talvez seja a hora de a Ubisoft reconsiderar o lançamento de tantos jogos da mesma franquia em um espaço de tempo tão curto. Cria aí, sim, uma ideia, ao consumidor, de que a empresa está mais preocupada em manter o hype (ainda que seja um hype mediano), do que em deixar a poeira baixar e trazer algo realmente novo.

No final das contas, se você está apenas a fim de alguma diversão rápida e direta, Far Cry: New Dawn, pode ser, definitivamente, um jogo para você. Velho ou novo jogador da franquia.

 

Prós

  • Se você gosta de Far Cry, vai gostar deste lançamento.
  • O aúdio acompanha os bons momentos de ação e ajuda a entrar no clima.
  • O gameplay está afinado e, ainda que não tenha nada de novo, definitivamente não compromete o jogo.

Contras

  • É Far Cry. De novo.
  • Para um jogo que depende tanto da qualidade do seu replay, o conjunto da obra não favorece muito a proposta.
  • Falta "alma" para a história e os personagens.

 

A equipe Sharkiando agradece à Ubisoft por ter disponibilizado o jogo.

FAR CRY: NEW DAWN será disponibilizado para todas as plataformas a partir de 15 de fevereiro!

 

AvaliaçãoNota
História 7
Gameplay 8
Visual 7
Áudio 8
Replay 6

NOTA FINAL

7.20

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